terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Tolkien e o sentimento bucólico inglês.

Texto bem informal só pra variar com os assuntos da página e porque eu não tinha mais nada pra fazer.
Eu entendo se vocês não gravarem o que eu disse, afinal eu falei de maneira burra.


Provavelmente a única forma de continuar com essa ideia é entender sua burrice, e aceitá-la acima de tudo. Porque desde uma conversa entre amigos e família após uma aula de História Contemporânea, uma analogia que, a meu cérebro pareceu obvia, não me deixa em paz. A relação de um ponto específico na obra de J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis e O Hobbit), com a Revolução Industrial, e principalmente, o sentimento bucólico inglês quando esse processo de maquinofatura já estava espalhado pela Europa.


Breve parecer a cerca do processo industrial:


A terra da Rainha, de Sherlock Holmes e do One Direction (desnecessário, eu sei, não me importo), foi um Império gigantesco no Século XIX, e isso graças ao processo industrial ao qual o país figurou como pioneiro. Os Britânicos desenvolveram grandes centros de produção, principalmente têxtil, e criaram umas das maiores malhas ferroviárias da época. O trem era fundamental nesse contexto industrial; era ele o responsável por fazer funcionar a grande geringonça que era essa sociedade. Por meio dele, escoavam-se produtos para os portos, e pessoas para diversas partes do país.



Entretanto, uma espiadinha sobre algumas coisas na rotina inglesa faz-nos crer que este homem cordial já estava saturado, mesmo durante o processo de industrialização desses maquinários. Se tomarmos como base aqueles belíssimos jardins parisienses e florentinos - todos bem cuidados e sob um tremendo controle do homem, podados por Edward Mãos de Tesoura -, é abrupta a diferença em relação aos jardins ingleses que não tinham controle sobre o que se plantar, e não se preocupavam em tipos de poda que deixassem a vegetação com aspecto artificial. Os jardins ingleses eram guiados única e exclusivamente pela natureza.


Mas que papo furado! Pra que isso? E qual a relação com Bilbo e seus amiguinhos?


Bem, o que pretendo chamar a atenção é para preocupação do autor sul-africano (naturalizado inglês) em descrever o Condado e seus moradores - os pequeninos e simpáticos Hobbits - assim como a simpatia que o escritor tinha por essas personagens. Basta ler o primeiro parágrafo de O Hobbit: as diversas descrições do Condado e de outras paisagens naturais em toda a obra referentes à Terra Média. É o momento de valorização da vida campesina.


Por outro lado, os verdadeiros vilões desse mundo estão começando uma grande manifestação industrial para confecção de armas de guerra e de monstros que servirão como soldados. Neste revoar de coisas (Frodo e Sam levando o anel para destruição; Gandalf voltando dos mortos bem branquinho, sem poeira; Aragorn na dúvida se fica ou não com a filha do bocudo do Aerosmith e vira Rei) o mago Saruman está destruindo florestas em nome de um ser maligno chamado Sauron.


Vejo na obra o processo industrial inglês do Século XIX: Indústria, cidades, seres feios (internamente) e desmatamento... Essa busca por um sentimento bucólico por parte dos britânicos é quase árcade. A sociedade sente na pele o sufocamento provocado por viver em centros sem beleza estética como Manchester e Liverpool, enquanto caem na mandíbula feroz do capitalismo.



O Condado pode ser a representação do lugar comum para os britânicos, onde a paz é permanente e o aconchego é valorizado onde há caos, poder e cobiça.

Peter Jackson, o neozelandês diretor das trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit, soube entender muito bem o sentido de valorização da natureza que o escritor imprimiu em sua apoteótica obra literária. Mesmo sendo dono da maior empresa de computação gráfica, a Weta Digital – responsável por grandes bilheterias como Avatar, Planeta dos Macacos: A Origem e os próprios filmes de Jackson – o diretor optou por muitas cenas externas nos 6 filmes, para se apropriar com o máximo de dignidade da beleza natural de seu país. Hoje a Nova Zelândia é um reduto para fãs de Gandalf e Cia., tendo inclusive todo o cenário do Condado intocável e recebendo milhares e milhares de visitas desde que foi inaugurado como atração turística.

Essa foi uma das várias possíveis interpretações da obra de Tolkien. Sua extensa criação literária é palco de debates acalorados nos mais variados círculos. Mas eu me aventurei nesse pequeno parecer, contrariando os sábios conselhos de Bilbo:

Afinal “eu não sei de ninguém a oeste de Bri que tenha interesse em aventuras”. (Bilbo Baggins, “The Hobbit: An Unexpected Journey. Dir.: Peter Jackson. 2012.



Caio Terciotti.

#partiuMordor #destruiranel #cortejarLivTyler


Sempre com vontade de mijar”.

Um comentário:

  1. Cara... sempre senti a mesma coisa ao ler Tolkien. Muitas pessoas reclamam das descrições exacerbadas da natureza que o autor imprime em sua obra, mas acho que isso é justamente a melhor parte...


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