quinta-feira, 19 de março de 2015

Ta vendo um mapa?


- Olha pra mesa...
- Pra quê?
- Só olha!
- Ok...
- Tá vendo um mapa?
- Hummm...
- Eu não...
- Ué! Então, porque...? Deixa pra lá... Eu to vendo um Mapa.
- Sério?
- Sério! Tem duas colinas a oeste, pequenas, e margeadas por relvas frescas e pequenos animais. Entre elas há um pequeno vale. Dizem que é um lugar mágico. Ali, o vento sopra sempre ameno, e nunca forte. E que o Sol é somente o necessário. Cada folha de grama cresce com rapidez tremenda, principalmente sob contato com a brisa.
  No centro do mapa, saindo das pequenas colinas e caminhando pra leste, vemos uma trilha bem delimitada que leva ao outro extremo do território (falaremos depois). A trilha têm, de seus dois lados, grandes extensões de campinas, que sempre dão boas vindas pra ótimas explorações. 
  É um vale incrível... Ali o sol é mais forte, tempestades devastam as vidas que por ali passam sem os cuidados necessários. Mas ainda assim achamos o paraíso em cada pedaço de terra que andamos, a vida nos encontra ali como se não houvesse no mundo, nem bancos, ou instituições, políticos, ideologias, crenças, e igrejas. Tudo que ali você faz, tem mais importância do que qualquer outra coisa na terra. Porque ali é sua terra. Seu lugar! Sua casa! Sua verdade e sua religião. E você sempre será atirado aos animais, e será devorado em cada movimento em falso até que aprenda a se portar em um ambiente tão inóspito. 
- Você tem que parar com isso...
- Não...
- Ok.
- Suas colinas ainda me chamam, ainda quero escalar cada uma delas com meus lábios, e respirar bem perto do vale entre suas omoplatas. Parece um nome feio né? Mas o poeta já fez poesia com Pneumotórax e chamou a namorada de lagarta listrada. Acho que estou bem...
- (risos).
- Ainda vou ser devorado pelos coiotes e chacais. Ainda vou caminhar entre a trilha da sua espinha indo de oeste a leste, chegando no atlântico onde repousa a eterna fonte de curva de seu corpo. Caminhar por esse deserto, é meu único afazer no momento, é minha única vontade e crença. E a única coisa que preciso pra reivindicar o que está dentro da minha cabeça e não consigo tirar. É o que aperta o meu peito e me faz dizer que "não! está errado". E está! Mas tudo bem... Porque quando eu descobrir o que sinto. Descobrirei aquela terra acima dos vales, onde existe tempestuosidade e uma personalidade natural, altamente perigosa e bipolar. Eu posso suportar. Eu posso viver ao extremos beijando suas costas e sonhando com você permanentemente.
- Isso está errado.
- Está.

Por Caio Terciotti - Influenciado pelos mestres V. Morais e M. Bandeira.

6 comentários:

  1. Que texto lindo, me lembrou O Pequeno Príncipe. Muito profundo por sinal. O essencial é invisível aos olhos... lindo demais, parabéns.

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    1. Drih, querida. Muito obrigado pelo carinho. :)

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  2. Palavras sensíveis, dispostas a nossa imaginação. Incrível e profundo. Parabéns.

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