segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Chuva, tem bolo!

  Saudade, sua criatura traiçoeira, peçonhenta e mal caráter. Você que não me deixa esquecer, seguir minha vida sem lamentar a falta de quem amo. Você que não respeita a natureza. Que me faz querer ser o senhor do tempo, o Deus do sol. O Calipso da Cantareira. Porque, você, saudade, não me faz sentir saudade só das pessoas... Dos amigos... Dos familiares... Do amor. Não... Você me faz sentir falta da chuva. 

  E a chuva? Aquela desgraçada insensível! Vocês sabem quem a chuva é? Ela é aquelx amigx, que acredita piamente que uma amizade verdadeira continuará forte mesmo depois de meses, anos de distância. E por causa dessa crença inabalável ela some! Desaparece. E só pra deixar o gosto da sua presença, deixa cair uma chuvinha ou outra, bem sem graça, e sem nem ao menos fechar o céu! Não! Ela é tão cara de pau, que chove enquanto o sol ainda reina. Como um mero "like" no Facebook. E quando vem avassaladora, e gera enchentes e desabrigados, é como aparecer nas últimas horas da festa, causando pra caralho, e se achando a grande esperada noite. Isso não é amizade, chuva... É uma relação doentia de imposição de poder.

  A chuva é pro paulista, como a tia que boicota suas dietas com aquele seu bolo favorito. Ou aquela mulher que sempre pisa e pisa em você!  Porque você é o sapato dela. Pior, você é aquela barata que ela matou no canto, com o sapato que você achou que era. Ela vem de longe, tenta nos alegrar e nos deixa ajoelhados pedindo clemência e lamentando sua vinda, como fizemos com o Superman. E então fica o sol, déspota, com seu reinado de sertão.

  Por isso, quando daquela chuva matinal da semana passada, pensei em compor uma ode em homenagem a ela. Claro, que por não ser poeta, nasceu uma cagada retumbante. Mas a essência será compreensível.


Ode a Chuva.

Chuva, Chuvinha, Chuvão.
Traga de volta o friozinho.
Mesmo estando longe do colchão.

Que delicia de tempo fresquinho.

Olha quanta goteira e correnteza
escoando pelo chão.
Veja essa estranha natureza
em meio a essa imensidão.

É asfalto demais, Meu Deus.
É sujeira demais.
Chuva, filha da puta!
Fica que tem bolo! Pau e pedra também.

(Eu sei... Ta meio infantil.)

Não queria que a chuva se chateasse comigo, a grande vilã é a saudade. Ele fez minha cabeça contra você, chuva!  Como uma grande tragédia Shakesperiana.


Por Caio Terciotti - Não me entenda mal, gosto do sol.

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