sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Inocência.

  Minha geração foi a geração das abreviações. Em um mundo onde as salas de bate papo, MSN e Orkut, pavimentavam o caminho para a "conquista", esse caminho tinha que ser rápido, preciso e jovem. Nasceram termos que se mantiveram até hoje, como: vc, tbm, d+, vlw... Eu lembro de ter lido em algum lugar, certa vez, o termo "klabokmbja", e um muito usual era o tal, "BV". O chamado "Boca Virgem", ou o individuo que nunca havia dado um beijo, era comum no meio do pessoal, talvez a maioria fosse em inícios de 2002 e 2003, mas confessos, eram a minoria. A abreviação era ridícula e estapafúrdia, mas nos esbaldávamos com as variações fonéticas. Uma vez a "CNH" de piloto de avião ganhou todo um significado pra nós, afinal, Brevê (Brevete ou Brevet) soa parecido com BeVê, e brincávamos com coisas assim. Você ri do garoto de 13 anos, que estava a se divertir com esse jogo de palavras. Não, não ria. Porque hoje estamos cheios de certezas e dívidas. O BV nada mais é que uma financeira. Devo, não nego. E o brevê, é BRE VÊ. Aquele "R" é bem real, e distante.

  Também não precisa, internauta, virar os olhos tediosos, como se eu fosse um velho, ou
alguém que se sente velho, em um perecer nostálgico. Não estou lamentando meu envelhecimento, estou constatando a falta da jovialidade que me fazia rir. Hoje, dou risada, leio, entendo filmes em outras línguas, me divirto de uma maneira geral. Talvez, e só talvez, tenhamos evoluído nosso intelecto. E não me venha creditar como arrogante também. Todos nós evoluímos assim. E, em suma, aperfeiçoando nossos pontos fortes. Mas não posso deixar de notar a falta de risadas bobas e sem sentido que me fazia perder o fôlego entre uma aula de educação física, e o estresse de ter de prestar uma prova de matemática. 

  Uma prova qualquer já não me faz perder tanto o sono como na 7ª série. A matemática ainda me assusta, mas não é um monstro. Houveram outros maiores pra cortar a cabeça. Hoje, não dormimos porque o casamento está chegando, ou porque o cartão de crédito estourou. Estourou por motivos mais urgentes também. O bebê está chegando, ou os pacotes de fraldas acabaram. Preciso de uma creche boa pra voltar a trabalhar. Ele é a luz da minha vida, mas também já não saio com a frequência de quando não era pai, ou mãe. É assim, aquela menina que namorei aos 14, está pra casar ou engravidando. Eu tenho dificuldade pra lidar facilmente com essas coisas. O amadurecimento dos outros destaca minha infantilidade.

Por Caio Terciotti -                               


          "Que bom viver, como é bom sonhar

E o que ficou pra trás passou e eu não me importei

Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido



Ainda vejo o mundo com os olhos de criança

Que só quer brincar e não tanta 'responsa'

Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir"



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