terça-feira, 26 de agosto de 2014

Da hora a vida: De quando fui aliciado.

Cartaz do curta francês Majorité Opprimée
Pegar trem em São Paulo não é fácil. No ABC as coisas não ficam tão melhores assim. Pra ir de São Caetano até Mauá a tortura é tão grande, que não posso compreender a rotina sofrida dos que se aventuram até o reino perdido da Estação Barra Funda do Metrô. Em época em que o horário de verão está vigente, o sol bate exatamente na lateral do trem que eu costumo entrar, assim no trajeto facilita minha locomoção no interior da "minhoca de metal", mas essa lateral esquenta muito, e como vou prensado na porta, me sinto como aquela costela que você faz no bafo. No inverno, as coisas melhoram um pouco, o trem fica relativamente mais vazio, porque algumas pessoas adotam o carro como meio de transporte em tempos chuvosos. Mas ainda assim, é muita gente! Muita mesmo... Pessoal, vamos controlar essa natalidade aew! Não cabe mais não!

Enfim... Se há mais espaço para circulação de pessoas, há também mais espaço para a circulação de seus membros. E entre um levantar a mão pra tal coisa, e outra, porque não dar uma apertadinha nas nádegas alheias??!!  

Não foi a primeira vez, e nem será a última, que alguém mais baixo se escora em minha pessoa. Eu tento me afastar, sair de perto, mas, convenhamos, pra onde eu posso ir?! Então o mais simples é conviver... 

Eis que recentemente a mesma situação se repete. Estava eu, parado no meio do vagão entre as portas, e senti o peso de alguém. Devia ser em torno de 15 ou 20 cm mais baixa que eu, e reparei ser uma mulher pelo cabelo longo e preto que bateu no meu braço. Mas ela estava muito apoiada e, quando eu me mexia, ela reclamava, resmungava. Pode isso?! Então começou a falar alto com alguém pelo celular. Gritava, ria alto, xingava e tudo o que eu queria era sair daquilo. Mas a Ruína do Jogador diz que quando eventos tendem a seguir a ordem caótica, assim ficará por um bom tempo. Ou seja, eventos corriqueiros possuem fases boas e ruins, e ambas levam um tempo pra acabar. Então, como se gritar e falar alto no meu ouvido, não fosse o bastante, a moça decidiu que o melhor era colocar a cereja no bolo e esfregar na minha cara... Largou mão da etiqueta e o som das batidas do funk invadiram o compartimento do trem e minha cabeça. 

Assim, se tudo não podia ficar pior, ficou estranho... A mulher do alto falante anunciou a próxima parada, "Estação Prefeito Celso Daniel - Santo André", "Cuidado com o vão entre..." Opa! Que foi isso!? "Pi Pi Pi", "OI!", "pi"..... A apalpada que levei no glúteo ("Tá sabendo que você não tem glúteo" mais) não foi tão constrangedora quanto o "oi" ao pé do ouvido. Que por sua vez não foi tão vergonhoso quanto o fato de ninguém ter visto aquilo, a não ser uma tia com cara de quem tomou dose extra de hormônios. 

Com minha cara de tacho e incrédulo, mal tive tempo de falar qualquer coisa pra minha aliciadora. Ela saiu tão rápido do trem, que até trombou com umas moças que entravam. Ao que parece, ela arranjou algo melhor pra fazer.

Homens que estão lendo isso, o melhor, talvez, seja lutarmos por um vagão só nosso. 

Segregar para proteger!

Dia de merda!
  
Por Caio Terciotti - Tá entre uma apalpada e um tapa. Não sei explicar.

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