quinta-feira, 17 de abril de 2014

Flor da Primavera.

 Parecia que ela acariciava o vento, eu a vi caindo desde que se desprendeu do galho mais alto da copa da primavera. Deslizava como se o espaço vazio e a gravidade fossem um divertido e maravilhoso escorrega. Ela se aconchegou demoradamente no rosto dela. Seu sorriso foi sincero, alegre. Ela olhava para a delicada pétala lilás que repousava abaixo do seu olho direito, e em uma gargalhada ela escorregou, caiu sobre a grama macia.
Aproximei meu rosto do seu, ela olhava pra mim demoradamente. Pousou sobre minha alma aquele olhar significativo que só seus olhos escuros e cheios de vida poderiam fazer. Tudo a volta fazia parte de uma composição perfeita pra me levar ao mais elevado estado de êxtase silencioso. Sabe? Quando tudo dentro de você grita, berra, dança frevo, sai correndo pelado na praia, e grita e grita e grita... Mas por fora você está em paz?

  Seu espírito aprende a guerrear contra a dor e a solidão. Pois são aqueles olhos que te dão poder e força. São os sussurros inesperados no seu ouvido que te guiam no maior momento de trevas... Mas aquilo não eram trevas, não podiam ser. Não, não era... Deitados na grama, olhando um para o outro. As mãos dadas prevendo um momento maior. Mas não havia momento. Não precisávamos. Era aquele raro instante em que os corpos não pediam corpos. É muito difícil pra vocês entenderem! Eu sei que é... Eu também não entendia até aquele dia. Os sarcásticos não poderiam suportar a existência de algo maior que a ironia e que o humor de mal gosto. É difícil para quem ainda pode possuir um espirito pobre, recheado de coisas supérfluas.

  Será que podíamos entender o sentido da vida na vida de outra pessoa? Será que aquela vida marcante que já faz parte da sua a 4, 6, OITO ou DEZ anos poderia ser o sentido da sua existência? Qual o motivo de você estar no mundo? Trabalhar, estudar, fazer coisas normais, de pessoas normais. Onde está aquele seu "quê" extraordinário que faz você mudar o mundo. Talvez organizar papéis faça você fazer isso. Talvez deixar alguém entrar na sua vida permita isso.

A natureza fazia questão de participar e fazer o possível pra ajudá-la a me fazer bem.... Uma brisa de leve e os cabelo âmbar fizeram cocegas no meu rosto...

                                                            um vento....

                                                   Os cabelos..

                                                                     - Para com isso!

                               A risada.  Alta.. Gostosa...

                                                             - Bobo! Você parece uma criança envergonhada.

                                       "Venha".                                       "Não, você é má"

                                                          - Buuuu... Muito malvada!

Folhas secas voavam, a poeira nos cobriu. Eu a protegi com o casaco.
Ahhh. A virilidade de se sentir o príncipe encantado que defende. Mas não vai durar mais de um ano, quando ela se sentir sufocada por mim.

O Sono... "Não acredito que dormimos!", "Calma" eu a tranquilizei, "está tudo bem.".. "Mas podíamos ter sido assaltados."... "Podíamos", pensei.

O céu escureceu com nuvens densas. Gostei, odeio sol forte! E aquele estava de matar.

- É hora de irmos - eu disse. 
- Não. 

Não era um "não" imperioso e arrogante, era uma negativa que fingia tristeza e se divertia com minha confusão. "Venha", e eu a ajudei a levantar. Seus braços envolveram meu pescoço e ela me olhou demoradamente. Eu fiquei encantado mirando aqueles olhos escuros e expressivos, ela ficou séria e disse para eu não deixá-la. E eu prometi que nunca faria isso. "Espere um pouco", ela me puxou depois que começamos a andar, "não podemos deixá-la aqui. Elas nos escolheu, não?".

- Eu tenho a impressão que a escolha dela foi somente você. Além do mais, eu não acredito que ela vá ficar triste de ser deixada. Ela é uma planta - eu disse com irreverência.

- Ora, - ela começou fingindo grande sabedoria - como se você soubesse... Vou levá-la e colocar em algo que me lembre você. 

- Tudo bem. Agora vamos, estou com fome.

...

O processo de fabricação bem simples de um marca página... A pétala lilás ainda está lá.

Por Caio Terciotti.

Nenhum comentário:

Postar um comentário