terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Saudade de você, CPTM.

 A volta das férias me trouxe aquele característico sentimento de revolta com a situação ferroviária metropolitana. Ah, que horror é aquele amontoado de gente suando e se portanto de forma tão egoísta com seus semelhantes. Mas sem querer levar a discussão a um nível muito político, e procurando reter-me a determinadas características dessa marca do cotidiano paulista, eu já comecei o ano letivo "feliz".
Autor desconhecido.

1ª Situação.

Uma senhora com um pouco de calor estava ao meu lado e sua cabeça na altura do meu cotovelo. Naquele sôfrego momento onde não há nenhum tipo de circulação de ar ou esperança pra raça humana, e o ar condicionado funcionava debilmente com todo aquele povo, ela assoprou em uma vã tentativa de se refrescar. Acontece que ela não direcionou para o próprio corpo, seu alvo tornou-se o meu cotovelo, e como sabemos, quando se assopra muito além de uma brisa sai de sua boca, e ao mesmo tempo que senti o ar quente dos pulmões da tia, senti também o úmido "aconchego" de sua saliva entre o cotovelo e o punho. A vida é bela. Por sinal, não acredito que esse filme ganhou de "Central do Brasil".

2ª Situação.

Faço parte dessa massa egoísta, e a única coisa que me gabo é da negação em não correr feito um idiota para poder sentar. Entretanto, há também uma outra galera: invejosa. Que nutre o ódio por aqueles que estão sentados ou em posição mais confortável. E agora, eu peco. Mea culpa, mea maxima culpa. A inveja é tanto boa, quanto ruim. Nós vemos muitos discursando sobre a diferença entre uma e outra quando, parabenizamos o amigo que conseguiu a promoção, ou o primo que ganhou o que você queria na infância. E sinceramente não sei se minha inveja é a "boa", mas com certeza é inocente. Olhei para o meio do vagão, e vi uma moça em pé que podia ler um livro com tranquilidade. Aquilo acabou comigo! Eu não podia mover um dedo sem bolinar um semelhante.

3ª Situação.

Na volta do trabalho, o plataforma já não comportava a quantidade de seres que nela estavam. E quando chegou na estação já vinha abarrotado da anterior. E no calor que ainda faz as 17 h da tarde, e com o sol esquentando exatamente o lado do vagão que eu me encontrava, senti que meu fim estava próximo; um enfarte, derrame, ou coisa parecida, soava como um enorme copo de coca com gelo. Comecei um dialogo, sem querer, com um senhor que se mostrou tão indignado quanto eu. Discorreu sobre ter de esperar por só mais 5 anos para se aposentar e acabar com aquela agonia. Espero que ele consiga. Se ler isso, eu torço por você. Afinal, 28 anos nessa situação é horrível, e me envergonha pensar que suporto isso a um tempo ínfimo a dele, e ainda sim, aqui estou chorando as pitangas.

Agora, um poeminha pra vocês. Sem pretensão alguma.

Ode à CPTM. Flor do estrume. Senhora das chagas eternas. Seus suspiros metálicos são foices no coração humano. É Ardia, corrosiva, mal cheirosa... Necessária, Mentirosa. Compulsão de dor e agonia. Frustração precoce da inocência. CPTM: cretina, faceira, sandia.

Terciotti.

kkkkkkkkkk

Por Caio Terciotti. - Sempre com vontade de mijar -
Inspirações: Camões, Bocage e Guilherme Fernandes. Não inspirações: Augusto dos Anjos, O Rappa, Emicida, Rappin Hood, Jr (Eu, a patroa e as crianças).

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