terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pauliceia Desvairada (ou complexo de novaiorquino).

Na verdade, metade das coisas que falam sobre São Paulo fogem a minha compreensão. E outras me deixam nauseado.

Foto: Caio Terciotti
Adoro nossa querida megalópole. Tenho um sentimento de exultação ao andar por todo aquele charme que há na Paulista, no centro velho com a Rua Direita, a Sé, o Pateo do Collegio, o Viaduto "mijado" do chá, o Vale "mijado" do Anhangabaú, o Teatro Municipal, a Galeria do Rock, a Santa Efigênia, a Luz, o Museu "maravilhoso" da Língua Portuguesa, O Parque da Luz, a Pinacoteca, etc etc etc.... Andar por aquele lugar historicamente rico, e ao mesmo tempo decrépito, dá uma sensação estranha na barriga de mergulhar dentro do "Pauliceia Desvairada". Mas ora! Que melhor paulistano do que o próprio Mário de Andrade para nos dizer o que é, quem é São Paulo. É masculino? Feminino? A senhora cidade cinza e maravilhosa, ou o senhor imponente com cara de mau à lá Clint Eastwood. Os dois?

Foto: Caio Terciotti
E o paulistano!!!?? O cidadão paulistano tem seu carisma especial. É um vivente com requinte das melhores coisas que estão no Brasil: Cultura, Economia, Política... O centro financeiro e humano. E quem disse que precisamos de dinheiro sempre? Não. A cidade nos fornece um desbunde de características muito próprias, que em dados momentos apaga o valor monetário. Isso não quer dizer que o alto preço, as coisas abusivas não estejam por aí... Como todo lugar, pagar, as vezes, R$ 10,00 num litrão é um tapa na cara. 
O que me incomoda em alguns paulistanos, principalmente os mais abastados, ou com uma pseudointelectualidade, é aquele andar pelo calçadão da paulista com um ar de novaiorquino ao sol 1300°!!!!!!



Fonte: Desconhecida
"Ah!!! Que sensação gloriosa essa de andar na New York latina. Esses belíssimos prédios! E agora, com esse friozinho que se aproxima com o outono, posso vestir a minha blusa caríssima que ainda estou pagando, comprar um café que vou levar mais três meses pra pagar no Starbucks e andar radiante e gloriosa (o) pela Paulista!"

Tudo isso com uma camiseta ilustrativa: "Eu S2 SP", revenzando com "Eu S2 NY"... Que fofo.

(Pausa para controle da Bile).

Essa pouca valorização do verdadeiro charme nacional que há em São Paulo, com a multiplicidade de valores, culturas e estórias é que me irrita. Esse complexo de novaiorquino que sofre o paulistano desvaloriza o que há de melhor em nós.

O excesso de grifes, redes de fast food que nos tem invadido desperta - inclusive em mim - um sentimento consumista de querer experimentar cada um desses pratos, hambúrgueres, cebolas gigantes empanadas, costelas a molho da puta que pariu... E mais o caralho a quatro de tipos diferentes de queijo. Cara, eu adoro essas coisas, mas é consumismo a um nível ridículo. É, como dizem a galerinha da batida imperfeita, uma ostentação danada!
Grandes empresários fazerem festas estratosféricas regadas a muito Álcool, cocaína, Porsches e mulheres; é como tentar entrar na mansão do Grande Gatsby em NY, anos 30. 

Que grande agitação passa a cidade no presente momento!

 Já disse que não moraria em SP, não faz sentido superlotar o trem indiano. Vou para visitar, e visitando contribuo mais valorizando o que sei que tem de bom há décadas, como o lanche de mortadela do Mercadão - apesar de estar se tornando outro objeto que visa o consumismo, já que estão considerando o lanche como algo gourmet (Ah, meu Deus! Essa galera - eu - que passa metade da vida no trabalho, na faculdade, e na TV a cabo. Viva Homens Gourmet, Palmirinha, e qualquer outro lixo que assistimos todos os dias!!!!!).

Falta, portanto, o paulistano saber que há uma beleza sutil e maravilhosa em SP. Ela é exalada do vão de cada prédio, do andar sexy de cada pessoa, dos momentos mais gentis entre amigos, na nossa língua e gírias, nos nossos loucos... E você pode começar a entender isso com Mario e Oswald de Andrade. Com a geração modernista - apesar do toque europeu que sofreram. Com o sonho de não haver regras poéticas. Vá a Augusta e sinta aquela verdadeira pauliceia desvairada... Sinta na rua mais estranha e bonita da cidade o teor sensual e pornograficamente poético que ela é em essência.


Por Caio Terciotti. - Sempre com vontade de mijar - 

"São Paulo! comoção da minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original..."

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